Artes, Culturas e Tecnologias numa Perspectiva Decolonial na Educação Formal e Informal

Coordenação:

Me. Carlos Antônio Barros de Oliveira (IAT/BA)
Ma. Joalva Menezes de Moraes (UAB - Portugal)
Dra. Valdineia Oliveira dos Santos (IAT/BA)

Ementa:

O GT Artes, Culturas e Tecnologias numa Perspectiva Decolonial na Educação Formal e Informal tem como objetivo visibilizar ações e propor um debate no campo da arte, da cultura, da educação e das tecnologias que disseminem o ser, o fazer e o pensar de baianos, brasileiros, afrodescendentes, quilombolas, indígenas, a partir de um olhar decolonial, antirracista, antidiscriminatório e intercultural. É notório que o racismo institucionalizado ainda faz parte das organizações em nosso país, em especial nas instituições educacionais, e que somos crias de uma sociedade que foi formada ouvindo apenas um lado da nossa história. Por outro lado, as questões étnico-raciais já aparecem como tema central ou - pelo menos - como inspiração para produções e/ou manifestações artísticas educativas em diversas áreas, como cinema e audiovisual, artes visuais, fotografias, música, dança, artes cênicas e literatura. As tecnologias também encontram destaques, nesse campo, principalmente através de repositórios de conteúdos digitais, blogs, sites, canais do Youtube. A Plataforma Anísio Teixeira, que possui produções de estudantes e professores das escolas públicas baianas, e o canal da jornalista e influenciadora baiana Maíra Azevedo, Tia Má, são exemplos. Como afirmam Luiz Fernandes de Oliveira e Vera Candau (2010), somos marcados pela naturalização do imaginário do invasor europeu e pela subalternização epistêmica do outro não-europeu, às quais resultaram na própria negação e no esquecimento de processos históricos não-europeus. Assim, produções e expressões artísticas de autores afrodescendentes, jovens, periféricos e indígenas se convertem em verdadeiros projetos de afirmação desses agentes enquanto sujeitos, elevando sua autoestima e reafirmando identidades. Ações dessa natureza também se colocam como instrumentos para a Educação Formal e Informal, difundindo, dessa forma, uma visão decolonial e intercultural. Sob essas perspectivas, podemos elencar várias iniciativas pelo Brasil e mais especificamente na Bahia que promovem e divulgam produções, tais como as associações de blocos afro-baianos - entre eles Ilê Ayiê, Malê de Balê, Cortejo Afro;  no âmbito da música, bandas como Olodum, Didá e Ganhadeiras de Itapuã; associações culturais como o Grupo Cultural Bagunçaço, a Associação Pracatum Ação Social; grupos de capoeira, como o Camugerê; no audiovisual, a Rede Anísio Teixeira e seus conteúdos, a TV Pelourinho, TV Kirimurê; nas artes visuais, artistas como Marcos Santos, Peterson Azevedo, Lázaro Roberto.  A negação à sociedade brasileira, como um todo, de versões não-hegemônicas da História do Brasil reforçou o pensamento discriminatório sobre nós mesmos. Dito isso, urgem ações que proponham o debate acerca de saberes oriundos da intersecção de várias formas de conhecimento, enquadrando-se na nova conjuntura histórica, científica e social. Sabemos o quanto é desafiador esse processo, além de extremamente necessário, uma vez que é notório que o período das colonizações culminou na valorização do conhecimento e cultura produzidos pelo colonizador, em detrimento ao menosprezo de tudo que viesse da parte do colonizado. A decolonialidade pretende dar visibilidade às lutas contra a colonialidade, a partir das pessoas, das suas práticas sociais, epistêmicas e políticas. Esse novo paradigma supera a proposta de transformação da descolonização, uma vez que considera também o movimento de construção e criação, constituindo-se num processo de reconstrução radical do ser, do poder e do saber. Um diálogo transmoderno e intercultural a ser desenvolvido pelo sul global. Aliás, sul como uma metáfora do sofrimento humano é o que propõe Boaventura de Sousa Santos (2009). Sua proposta busca evitar o universalismo eurocentrado em que um – Europa - definia para o outro – Américas, África, Ásia – a única epistemologia possível. Assim, esse GT vem propor um diálogo crítico com o propósito de visibilizar ações dentro das artes, educação, culturas, comunicação e tecnologias que privilegiem a luta por uma sociedade mais igualitária, democrática e justa, bem como a busca de soluções para os problemas decorrentes do patriarcalismo, racismo, da colonialidade e do capitalismo, divulgando e disseminando as diversas histórias locais. Isso significa propor um debate em que agentes sociais das áreas da Educação, Arte e Comunicação e Tecnologias possam apresentar resultados de ações realizadas em que a valorização e afirmação da história, cultura e arte baiana, brasileira, afro-brasileira, quilombola, indígena sejam apresentadas e cuja tônica se relacione à busca de expressões que primem por epistemologias decoloniais. Deste modo, o que se pretende é fomentar a possibilidade de reunir artistas, educadores, produtores culturais e do audiovisual que realizam produções alinhadas com as perspectivas acima listadas. Encontros como esse podem colaborar na ampliação dos debates e discussões acerca da Educação para as Relações Étnico-raciais e a Decolonialidade. Não é demais lembrar que há uma demanda na educação para que educadores e escolas cumpram efetivamente as Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, tão importantes para o embate social contra o racismo e o preconceito racial no Brasil, numa perspectiva lúdica e interdisciplinar. Por fim, segundo Catherine Walsh (2006), a efetivação dessas leis representa - além do caráter epistemológico e político - um “projeto de existência e de vida”.

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