Cinemas Africanos e Afrodiaspóricos - Perspectivas e Dilemas Contemporâneos

Coordenação:

Dr. Jusciele Conceição Almeida de Oliveira (CIAC/UALG - Portugal)
Ma. Ana Camila de Souza Esteves (PósCom/UFBA)
Ma. Morgana Gama de Lima (PósCom/UFBA)

Ementa:

África no cinema, cinemas de África. Quais as conexões possíveis de extrair da combinação dessas duas palavras? Para além das imagens e narrativas produzidas por seus cineastas, os filmes oriundos de países do continente africano, ao longo de sua história e até os dias de hoje, são objeto de diferentes tipos de discurso e modelos de interpretação. Apesar da inevitável relação que se estabelece entre cinema e território, uma vez que a própria denominação aponta para o continente, os cinemas africanos em sua diversidade expressiva estão além dos filmes produzidos nos 54 países que constituem o continente, mas também se encontram nas diásporas e na complexa rede de combinações estéticas e narrativas que emergem nos cinemas contemporâneos de modo geral. Com apenas seis décadas de existência, a produção audiovisual africana é variada em formatos, temas e estilos, e está no nível de qualquer outra cinematografia mundial. Os povos, culturas e tradições que compõem o continente africano ainda são grandes desconhecidos do público estrangeiro, especialmente Ocidental, que reitera imaginários estereotipados e miserabilistas da mídia. O cinema, como língua universal, nos parece ser a maneira ideal de abordar a África de uma forma mais realista e crítica. Para além disso, a condição diaspórica de sujeitos africanos traz ao cinema questões voltadas à noções de identidades, pertencimentos e experiências compartilhadas, além do sentimento de entre-lugar que existe entre os realizadores que saem de seus países de origem. A experiência afrodiaspórica é, portanto, um lugar de disputas que encontra no cinema um modo particular de criar narrativas e desenvolver estilos, partindo de uma noção plural, múltipla e transcultural da existência negra no mundo. Se a referência aos cinemas africanos é marcada por nomes de realizadores como Ousmane Sembene, Djibril Diop Mambéty, Safi Faye, Idrissa Ouedraougo, Gaston Kaboré e Souleymane Cissé, passando pelos realizadores da chamada "segunda geração" como Haile Gerima, Flora Gomes, Jean-Marie Teno, Abderrahmane Sissako, Jean-Pierre Bekolo - o que se vê hoje é uma proliferação de nomes dos mais diferentes países africanos que vêm se destacando por suas trajetórias transnacionais. Podemos citar a queniana Wanuri Kahiu, os sul-africanos Jenna Bass e Akin Omotoso, a nigeriana Ema Edosio, os burquinenses Apolline Traoré e Cédric Ido, só para nomear alguns. Em países afrodiaspóricos como Brasil e Estados Unidos, por exemplo, nomes como André Novais, Adirley Queirós, Glenda Nicácio e Ary Rosa, Jordan Peele e Barry Jenkins se destacaram nos últimos anos. Tentar encontrar características unificadoras de estilo, narrativa ou técnica para os cinemas africanos e diaspóricos contemporâneos, ou oferecer uma lista dos seus cineastas mais notáveis é hoje uma tarefa impossível. Por outro lado, especialmente considerando a produção a partir dos anos 2010 e sua abrangência internacional, já é possível destacar a fluidez entre mídia (televisão, internet e cinema), gêneros (thriller, melodrama, comédia, ficção científica, música, documentário) e formatos (websérie, curta-metragem experimental, média-metragem). Importante também destacar as disputas existentes no campo da distribuição e recepção desses filmes, ainda vinculados a festivais - tanto os mais importantes no cenário internacional (Cannes, Berlim, Veneza, Toronto, etc.) como os de nicho, ou seja, aqueles dedicados especificamente ao cinema negro e/ou africano. Considerando essa conjuntura, o presente GT acolhe propostas voltadas para a abordagem das múltiplas questões que circundam os cinemas africanos e afrodiaspóricos contemporâneos, especialmente envolvendo a discussão sobre: demandas e exigências atuais que abarcam estas cinematografias; divergências sobre nomenclaturas e epistemologias; convergências temáticas e/ou estilísticas entre cineastas africanos e cineastas da diáspora; questões de ordem nacional, transnacional, transcultural, local e global; aspectos históricos; pleitos sobre variados temas, enredos, políticas e estéticas comuns e presentes no debate de ideias contemporâneas relacionadas com filmes realizados por cineastas oriundos de África e suas diásporas. Serão bem-vindos no GT trabalhos que estabeleçam pontes interdisciplinares a partir do universo dos cinemas africanos e afrodiaspóricos e que estimulem o pensamento crítico sobre essas narrativas. Esperamos que os trabalhos ofereçam um panorama crítico sobre a produção expressiva destas cinematografias, seus dilemas contemporâneos, notadamente marcados por uma lógica de produção e distribuição com suas próprias limitações e desafios. Ansiamos ainda por abrir um espaço de pensamento sobre as perspectivas de diálogos possíveis entre o campo do cinema e outros campos do conhecimento com abordagens focadas nas cinematografias aqui acolhidas.

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