"Como e Quando os Documentos Falam?": Pesquisas com Objetos Artísticos e Educacionais

Coordenação:

Ma. Camila Camargo Ferreira (UFSCAR)
Me. Diego Ramon Souza Pereira (SEC/BA - UNEB)

Ementa:

A utilização das fontes documentais em pesquisas de caráter qualitativo ocorre de acordo com a problemática levantada e em função do objeto estudado. Conforme a definição de Cellard (2008), "os documentos podem ser caracterizados como textos escritos, manuscritos ou impresso, registrado em papel." (CELLARD, 2008, p. 296). Para o autor os mesmos classificam-se em documentos públicos e privados. Em relação ao primeiro grupo (documentos públicos) aglutinam-se em dois subgrupos: os primeiros referem-se aos arquivos governamentais (federais, regionais, escolares ou municipais) como também arquivos oriundos da sociedade civil (estatutos, regimentos, atas entre outros) e jurídicos (despachos, sentenças, mandatos etc.), já o segundo subgrupo compreendem os documentos de esfera pública não arquivada, como por exemplo: jornais, revistas, periódicos bem como documentos que são de grande circulação, a exemplo de meios de publicidade, anúncios, boletins. Já em relação ao grupo de documentos privados encontram-se: os arquivos atrelados as "organizações políticas, sindicatos, igrejas comunidades religiosas, instituições, empresas, etc" (CELLARD, 2008, p. 297). Como também insere-se nessas categorias os arquivos de fórum pessoal, íntimo, como por exemplo: diários, documentos familiares, autorrelatos entre outros (CELLARD, 2008). A pesquisa com documentos é um importante aporte metodológico, uma vez que "os documentos favorecem a observação do processo de maturação ou evolução de indivíduos, grupos, conceitos, conhecimentos, mentalidades, práticas, etc" (CELLARD, 2008, p. 295). Dentre algumas vantagens desse método está a eliminação, ao menos em parte, da "eventualidade de qualquer influência - a ser exercida pela presença ou intervenção do pesquisador - do conjunto das interações, acontecimentos ou comportamentos pesquisados, anulando a possibilidade de reação do sujeito à operação de medida" (CELLARD, 2008, p. 295). Por outro lado, o documento é um instrumento que o pesquisador não domina, uma vez que qualquer informação apresentada por ele dar-se-á em sentido único, de modo que não se pode ir além do que está apresentado na narrativa. Dessa maneira, "o pesquisador deve superar vários obstáculos e desconfiar de inúmeras armadilhas, antes de estar em condição de fazer uma análise em profundidade de seu material" (CELLARD, 2008, p. 296). Como forma de escapar destas armadilhas, é preciso localizar os documentos e avaliar sua credibilidade e sua representatividade. Além disso, é imprescindível a capacidade de compreensão dos sentidos das mensagens que circulam nas suas páginas e, por vezes, contentar-se com o que o pesquisador "tiver à mão: fragmentos, passagens difíceis de interpretar e repletas de termos e conceitos que lhe são estranhos e foram redigidos por um desconhecido, etc" (CELLARD, 2008, p. 296). A partir deste cenário pode-se entender as manifestações artísticas (música, artes plásticas, poemas, artes visuais, entre outros) como representativas, temporais ou não, de um determinado contexto. Pois, entre outros aspectos, elas nos fornecem instrumentos teórico-metodológicos valiosos para compreensão da vida cotidiana, dos costumes e das mudanças sociais que marcam a construção de um imaginário sobre a sociedade. Assim como o universo educacional também não se restringe a instituição escolar, agrega em seu bojo: instituições, espaços, localidades formativas endógenas ou exógenas a escola, e neste atravessamento entre educação e sociedade, o sistema educacional se vê produto e produtor de realidades sociais. Por isso, neste contexto objetivam-se: aprofundar o debate sobre a utilização dos documentos (Como? Quando? Em qual situação?) nos estudos que focam objetos artísticos e educacionais; mobilizar leituras metodológicas e de método para análise de documentos; compartilhar pesquisas feitas em diversas instituições (acadêmicas ou não) que articulam problemas de investigação em torno de fenômenos artísticos e educacionais através da pesquisa de caráter documental. Ao considerar isso, destaca-se a necessidade de discutir a experimentação de novos recursos e estratégias de pesquisa, como por exemplo a utilização de softwares, redes sociais (BAUER, 2002; PAUGAM, 2015) na análise de documentos (CRESWELL, 2014; PIRES, 2012; POUPART, 2008). Assim, o Grupo de Trabalho (GT) visa contribuir no aprofundamento de questões pertinentes à agenda de pesquisa na área, promover um espaço plural e democrático de interlocução teórico-metodológica sobre os aspectos da produção acadêmica acerca da arte e da educação, reunir comunicações de pesquisas concluídas, estudos em andamento e relatos de experiência profissional com o uso de documentos dentro no campo de atuação artística ou educacional. Com isso, o intuito deste Grupo de Trabalho (GT) é agregar pesquisas que tenham a produção artística (nacional e/ou internacional, histórica e/ou contemporânea) como recurso primário ou secundário de fonte de investigação e utilizem documentos para compreensão da realidade. Neste sentido, o GT apresenta-se como um espaço de confluência entre pesquisas e experiências que envolvam a arte e a educação como objeto de estudo e/ou recurso de pesquisa.

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