Gêneros e Sexualidades na Educação: "É Preciso Estar Atento e Forte"

Coordenação:

Prof. Dr. Célio Silva Meira (SEC/BA)
Prof. Me. Murilo Pinto Silva Santos (SEC/BA)

Ementa:

Partindo do pressuposto que a educação brasileira foi forjada a partir de um olhar colonial, à luz dos dogmas cristãos, o controle sobre os sujeitos, cujos corpos escapavam das normatizações de gêneros e sexualidades, sempre tiveram na produção científica o mapeamento de conhecimentos acerca destes corpos e seus fenômenos, com o intuito de estabelecer diferenças puramente biológicas de cunho totalmente genético. Nesse sentido, pretendia-se transformar tais corpos, que antes eram apenas duas versões de um corpo único (o corpo humano), em seres opostos e complementares, cujas diferenças eram irreconciliáveis, constituindo um modelo de sexo duplo. Nessa perspectiva, as primeiras propostas de Educação Sexual, no campo educacional, surgiram, ao mesmo tempo, como medidas de controle profiláticas para as mulheres, tendo em vista, que seu público-alvo principal eram estas e as crianças. Historicamente, sempre esteve atrelada às aulas de Ciências e Biologia transformando-se em aulas sobre reprodução, métodos contraceptivos, gravidez e prevenção às DSTs. Restringindo apenas a aspectos anatômicos e fisiológicos do corpo humano. Assim, aspectos relativos à cultura e ao próprio ordenamento da sociedade eram deixados de lado. Entretanto, sabemos que a sexualidade passa por outros caminhos que extrapolam os aspectos biologizantes. Por esse ângulo, discursos apresentados por docentes dessa área estavam (e ainda estão) fortemente ancorados em uma visão da sexualidade reprodutiva, subsidiados por uma supremacia do argumento científico, sendo esta, frequentemente associada a situações de perigo e pecado. Ou seja, o sexo não reprodutivo sempre estava agregado como algo inadequado, fora da "norma". Existe, portanto, o reconhecimento da importância da Educação Sexual em uma perspectiva educacional mais ampla, interdisciplinar, criando interfaces com outros campos do conhecimento, especialmente no tocante ao campo da cultura, enquanto um elemento de resistência diante da barbárie social a qual estamos vivendo. Onde os sujeitos historicamente marcados, atravessados são colocados em lugares específicos, à marginalidade. As escolas não fazem este trabalho, alegando, na maioria das vezes, a não necessidade. Para muitos educadores, não é o papel deste "tocar" nesses assuntos, e, sim, da família e/ou da religião, ou alegam também não saberem, por não terem sido preparados para tal função em suas respectivas formações. Ao negar discutir às diversas identidades, sejam elas de gêneros ou sexualidades, estamos contribuindo com a perpetuação da violência em nossas escolas e na sociedade como um todo. Objetivamos neste GT promover o debate das temáticas de pesquisa que se entrecruzam nas relações entre teoria e empiria. Para tanto, se faz necessário o debate histórico da sexualidade em diferentes contextos sociais e temporais, destacando a aceitação e/ou repulsa, paralelo à perseguição e extermínio de grupos minoritários, através de atitudes sexistas, machistas, homofóbicas e transfóbicas, em uma sociedade hipersisheterosexualizada. Nesse sentido, as discussões inerentes à heteronormatização, frente à diversidade de gêneros, causaram inúmeros conflitos, alicerçados através de segmentos sociais conservadores. Não podemos deixar de levar em conta, as diversas categorias que compõem a diversidade de gêneros, trazida através da sigla LGBTQI+ (Lésbica, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Queer, Intersexual, entre outros), que nos traz campos diferenciados de experimentação da sexualidade, se traduzindo em políticas de resistências, e consequentemente de visibilidade. As ausências dessa compreensão nos conduziram, ao longo do tempo, a não aceitação de outras possibilidades de gêneros e sexualidades, levando em muitas das vezes a atitudes deploráveis, como o escárnio, as perseguições seguidas de violências simbólicas e/ou físicas. Com isso, buscamos o debate da sexualidade ao longo do tempo, que, embora tenham ocorrido diversas "evoluções sociais", ainda continuam existindo tabus e preconceitos a tudo aquilo que não se enquadram na relação binária, homem-mulher. E nessa direção, percebemos que a educação não vem cumprindo sua função social, no que tange aos aspectos de formação humanística e crítica de seus estudantes. Interessam-nos pesquisas que abordem temáticas sobre gêneros, sexualidades, estudos decoloniais e sua importância para refletir e implementar políticas públicas e práticas pedagógicas transgressoras, cujos objetivos são sempre ampliar o direito de res(ex)istências dos sujeitos, tendo no processo de ensino e aprendizagem a liberdade para criar, duvidar e questionar pressupostos científicos, técnicos e filosóficos institucionalizados e produzir um ensino voltado para a coexistência nas diferenças. Esperamos, portanto, reunir pesquisas e pesquisadores(as) de diversas áreas do conhecimento que tenham se debruçado sobre essas questões, no sentido de contribuir com o debate político/acadêmico em torno das demandas que esses coletivos apresentam à sociedade.

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