A Cultura e a Variação Linguística nos PALOP e no Brasil: Interferências e Contato entre Línguas

Coordenação:

Prof. Dr. Alexandre António Timbane (UNILAB) 

Prof. Me. Rajabo Alfredo Mugabo Abdula (UNESP - Araraquara) 

Ementa: 

Em todas as sociedades, a língua é o instrumento mais importante de comunicação entre os humanos. Ela língua resulta de uma construção social e não de um indivíduo isolado ou de um grupo restrito de especialistas em línguas. A língua surgiu simultaneamente com a humanidade com intuito de permitir a troca de ideias e de pensamentos. Porém, a língua não é estática. Ela tende a mudar impulsionado pelos contextos sociocultuais em que os falantes estão inseridos. Toda variação linguística é incentivada pela cultura, pela tradição, pelo desenvolvimento econômico e político que se apresenta em cada lugar geográfico. A língua, segundo Kramsch (2014), é um sistema de signos que tem dentro de si um valor cultural. Os falantes identificam-se através da língua, no seu uso e, assim, eles veem a língua como um símbolo da sua identidade social. A proibição do uso da língua é, muitas vezes, percebida pelos falantes como uma rejeição de seu grupo social e da sua cultura (KRAMSCH, 2014). A língua está ligada à cultura, e a cultura é muitas vezes expressa pela língua, daí o termo cultulinguística. As línguas variam e mudam ao longo do tempo (LABOV, 2008) impulsionadas pelos fatores internos e externas (COELHO et al. , 2015). As línguas faladas/sinalizadas nesses espaços geográficos interferem fortemente na formação e na consolidação dessas variedades e variantes. O contato entre línguas cria novas formas de falar português que devem ser estudadas e aprofundadas. Na língua, as palavras aparecem (neologismos) e desaparecem (arcaísmos), funções sintáticas e morfológicas (re)aparecem e outras se mantém. A norma-padrão, por exemplo, tenta “congelar” a língua no tempo mantendo uma gramática fixa. A norma-padrão foi ‘inventada’ e não é língua materna de ninguém. Qualquer língua natural só faz sentido quando compreendida dentro do contexto sociocultural. Diante destes debates teóricos, o presente GT propõe reunir e discutir pesquisas (de graduação e de pós-graduação) que lidam com a variação linguística do português nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e no Brasil e de línguas de sinais levantando a importância da cultura na formação dessas línguas, das variedades e das variantes. Tanto no Brasil quanto nos PALOP se observa um contato permanente entre línguas e essas línguas interagem direta ou indiretamente contribuindo para a formação de variantes e variedades linguísticas. Neste contexto, “conhecer português” é dominar a ‘norma-padrão’ tal como a gramática normativa instrui. Para os PALOP, o preconceito é mais profundo ainda uma vez que o sotaque é incluso como requisito para quem deseja falar um “bom português”. Essa ideia é negativa porque jamais houve algum acordo de fala, de pronúncia de palavras do português.  O Acordo Ortográfico sim, ela existe, rege a grafia das palavras, é uma lei tal como se pode ver em RTP (2012). O mais comum nos PALOP é a imitação do sotaque da variedade europeia do português. Exemplos desse tipo podem ser observados na fala de jornalistas, apresentadores de programas de televisão, políticos, artistas e outros influentes que para além da norma-padrão procuram aproximar-se do português. A língua constitui um patrimônio cultural de todos os povos do mundo. Não interessa o grau de escolaridade dos falantes, do grau de civilização, nem das crenças e culturas praticadas. Cada língua ou variedade expressa a identidade dos seus falantes direta ou indiretamente. As línguas mudam à medida que a sociedade muda. Hoje ficam lembranças etimológicas de que este português proveio do latim vulgar. Na lusofonia se fala português e não latim vulgar. Antes, se observou que esse latim variou e mudou com o tempo transformando-se no português. Essa transformação conheceu um processo lento, gradual e inexorável, processo de mudança linguística que afeta qualquer língua (PAGOTTO, 2005, p.32-33). O GT constitui um espaço de troca de bibliografias, de ideias e de conhecimentos que visam a valorização das variedades e variantes linguísticas de diversas línguas faladas nos PALOP e no Brasil. A norma não-padrão não precisa ser ensinada pela escola porque as crianças  já sabem, elas vêm à escola já sabendo. O importante é mostrar que cada norma é usada em contexto próprio. Precisamos mostrar ao aluno que não há falas erradas, mas apenas inadequadas à situação de comunicação, isto é, a escola tem de garantir que eles tenham condições de mover-se nos diferentes padrões de tensão ou de frouxidão, em conformidade com as situações de produção (MOURA NEVES, 2009, p.128). É momento de refletir, sobre como as variantes e variedades do português devem ser acolhidas e discutidas em sala de aulas e na sociedade porque muitos cidadãos são excluídos e penalizados devido ao fraco domínio da norma-padrão.

Todos os Items

Nada foi publicado nesta categoria ainda.