Desafios Interdisciplinares: Tecnologias Digitais Aplicadas à Educação

Coordenação:

Prof. Dr. Eniel do Espírito Santo (CECULT/UFRB)
Prof. Me. Adilson Gomes dos Santos (CETEC/UFRB)
Prof. Dr. Jader Cristiano Magalhães de Albuquerque (UNEB)

Ementa:

A crescente utilização das tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC) nos contextos de ensino e aprendizagem apontam enormes desafios para as práticas pedagógicas dos professores da contemporaneidade, pois frequentemente os docentes deparam-se com estudantes que são verdadeiros nômades digitais, hiperconectados e que se movimentam de forma fluída e híbrida nos mais diferentes espaços, presenciais ou virtuais, com amplo domínio das tecnologias no contexto social; contudo, ainda estão desenvolvendo as competências digitais para a construção do conhecimento científico, nos diversos ambientes e cenários virtuais de aprendizagem.
Neste sentido, no contexto internacional, a Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável preconiza que os sistemas de educação devem pautar-se pela adoção de metodologias didáticas que favoreçam um processo educativo equitativo, inclusivo e capaz de promover o aprendizado ao longo da vida, sendo imprescindível a inserção das TDIC neste dinâmico processo de ensino e aprendizagem (ONU, 2015).
No contexto nacional, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) ao definir o conjunto de aprendizagens ao longo das etapas da educação básica brasileira, estabelece que as decisões pedagógicas devem fundamentar-se no desenvolvimento de competências mediante a seleção, produção, aplicação e avaliação de recursos didáticos e tecnológicos para apoiar o processo de ensino e aprendizagem, para que os estudantes sejam capazes de utilizar criticamente as TDIC "nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva" (BRASIL, 2017, p. 9).
Entretanto, não se trata de mera inserção das TDIC no processo educativo, mas, sobretudo, perceber de que forma se pode utilizar essa tecnologia visando atingir os objetivos pedagógicos desejados, utilizando suas diferentes ferramentas digitais. Deveras, tona-se mister que o docente contemporâneo tenha um nível de fluência digital que o habilite para utilizar as TDIC na promoção do desenvolvimento de competências emancipadoras, ou seja, que colabore com o desenvolvimento de um sentimento de pertença ativa dos jovens estudantes, quer na sua comunidade educativa quer, mais tarde, no mundo do trabalho, como ressalta Figueiredo (2016). Ademais, como afirmam apropriadamente os pesquisadores portugueses Trindade e Moreira (2017, p. 55), o desafio se encontra em saber utilizar a tecnologia "para transformar a aprendizagem num ato normal do cotidiano, até mesmo fazendo com que esta nem seja sequer reconhecida como sendo aprendizagem".
Todavia, as TDIC estão longe de ser uma panaceia, isto é, a cura para todos os males da educação contemporânea. Antes, torna-se oportuna a reflexão de Freire (1996, p. 97) ao afirmar que nunca fora um "ingênuo apreciador" das tecnologias, e se por um lado não as divinizava, por outro lado tampouco as demonizava. Assim, as TDIC não se constituem de per si em um milagroso Graal da educação, nem tampouco uma maldição diabólica, antes necessitam ser compreendidas na sua contribuição relativa, como pedra angular, no processo de mediação pedagógica e, sobretudo, intrinsecamente comprometidas com as aprendizagens significativas dos estudantes.
Desta maneira, a implementação das TDIC na educação não se trata tão somente de uma nova metodologia para transmitir conteúdos enfadonhos e repetitivos, antes torna-se urgente que contemplem o estudante como sujeito detentor de competências digitais sociais, ou seja, produtor de saberes, ativo em compartilhar opiniões e informações nas redes sociais; contudo, carente de competências digitais pedagógicas para a produção do conhecimento científico. Ademais, deve-se conceber as TDIC não meramente como ferramentas mas, sobretudo, como elemento estruturante de novas formas de ser, pensar e agir, assevera Lucena (2016).
Neste sentido, a proposta do Grupo de Trabalho (GT) "Desafios interdisciplinares: tecnologias digitais aplicadas à educação" consiste em estabelecer um fórum de discussões desta emergente temática no âmbito do II ENICECULT. Nesta perspectiva, considerando-se a intencionalidade pedagógica das ferramentas digitais oportunizadas pelo ciberespaço educativo, são bem-vindas neste GT as abordagens teóricas, relatos de pesquisas de campo e experiências que contemplem discussões aplicáveis às modalidades de ensino presencial, a distância ou híbrida, nos seguintes eixos temáticos:
- fluência e competências digitais docentes;
- estilos de aprendizagem e perfil de uso do espaço virtual;
- hibridismo e metodologias ativas no contexto digital;
- cenários e ambientes virtuais de aprendizagem;
- learning analytics;
- tecnologias assistivas na educação;
- tecnologias móveis e de imagem áudio e vídeo, aplicadas à educação;
- gestão das tecnologias digitais na educação.

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